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R.C. Jordão - Turma 64 - GEVOA
Depois do passeio feito ontem, de barco, à noite custei a dormir. As imagens de tudo aquilo que vivemos voltavam à minha mente, me deixando aceso e desperto. Aos poucos, porém, o sono veio. Mais uma vez, não lembro se sonhei. Acho que não. Afinal, porque sonhar dormindo se estávamos vivendo aqueles sonhos todos acordado? Depois do café, fomos parar numa ampla sala para ouvir a respeito daquela visita que era por todos nós esperada. Iríamos conhecer a aldeia dos índios Kamaiurá. Sentamo-nos em cadeiras do tipo escolar.
Diante de nós, estava o Ten. Montenegro, o qual passou a relatar alguns dados a respeito daquela visita.
- Bom dia, senhores. Como é? Estão gostando, aproveitando bem esta viagem ao Xingu? Pelos nossos sorrisos estampados entendeu logo nossas respostas. Pois bem, hoje está sendo programada a visita à aldeia Kamaiurá. Antes de partimos, o Major Vahia me pediu para fazer um breve relato sobre essa aldeia. Isto para que todos possam aproveitar melhor o passeio e chegar no lugar já sabendo alguma coisa.
Vou dar algumas informações sobre os índios Kamaiurá. Em 1942, com a criação do órgão federal Fundação Brasil Central, iniciou-se a abertura de estradas e o estabelecimento de acampamentos na área. Em 1946, os Kamaiurá atingidos por essa penetração passaram a ter contatos com os membros da expedição Roncador-Xingu, liderada pelos irmãos Villas-Boas. Recentemente, em 1961, o território que habitam converteu-se ao Parque Nacional do Xingu. Hoje em dia, a aldeia dos Kamaiurá se localiza cerca de dez quilômetros a norte do Posto Leonardo Villas-Boa, a aproximadamente 500 metros da margem sul da Lagoa Ipavu e seis quilômetros do rio Kuluene, à sua direita. A aldeia é composta por cerca de 400 pessoas.
Sua população tem uma relação muito forte com o rio, com os animais, com a floresta e a terra, cujos elementos estão relacionados com a religião, a cultura e o próprio modo de viver daquele povo. Na cultura dos kamaiurá, os senhores terão oportunidade de ver, a mulher tem a função de cuidar dos assuntos ligados à casa. Ela é responsável pela cozinha, roça, pela limpeza e pela comida. Além disso podem pescar e organizar as festas. Poucas, porém, desempenham papel de liderança dentro da tribo. A alimentação dos índios é baseada no peixe, na caça e na cultura do milho e da mandioca. Se servem também de frutas, que são abundantes. São raros os casos de desnutrição na tribo. Os homens tem que garantir, principalmente, a segurança alimentar. Também procuram assegurar uma boa relação entre os integrantes da tribo e as tribos vizinhas. Dentro da organização, as funções são divididas: pajé, raizero, mateiro e por aí vai. Os Kamaiurá são índios de língua tupi, que juntamente com mais nove tribos habitam a região dos formadores do rio Xingu. Entre essas tribos existe uma grande homogeneidade cultural. O tipo de habitação, a forma e a disposição das aldeias, a alimentação, as pinturas e os adornos corporais, e festas intertribais, sendo a mais conhecida o Kwarup.
O Kwarup, alguns dos senhores já devem ter ouvido, é considerado o grande emblema do Alto Xingu. Trata-se de uma cerimônia funerária, que envolve mitos de criação da humanidade, a classificação hierárquica nos grupos, a iniciação das jovens e as relações entre as aldeias. Neste instante mostrou alguns slides.
A aldeia Kamaiurá segue o modelo alto-xinguano, com casas dispostas em circulo, cobertas de sapê, de teto arredondado até o chão. No centro desse espaço circular encontra-se um pátio para o qual convergem os caminhos, conduzindo tanto às moradias como aos lugares públicos, e onde se ergue a casa das flautas. Na cultura Kamaiurá, as flautas só podem ser vistas e tocadas por homens. Em frente a casa das flautas, está o banco da roda dos fumantes, onde se reúnem os homens para contar os acontecimentos do dia e discutir outros planos da tribo.
Apesar daquela exposição estar sendo muito proveitosa e interessante, alguns de nós já mostravam certo grau de impaciência. Queríamos ver tudo aquilo ao vivo e a cores. O ten. Montenegro, percebendo, creio que encurtou aquela sua "aula" sobre os Kamaiurá e de uma forma polida disse: Bem, creio que poderíamos ficar mais um bom tempo aqui falando sobre esta maravilhosa tribo. Porém, os senhores devem estar ansiosos para partir em direção à ela, não é? Todos concordaram e alguns já se levantaram das cadeiras, prontos para a próxima etapa. Os carros que iam nos transportar se encontravam na saída do alojamento. De uma forma organizada, ingressamos nos veículos e lá fomos nós.
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