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Ricardo Campos Jordão - Turma 64 - GEVOA
Após os dois dias passados na ilha do Bananal, arrumamos nossas malas em direção ao Parque Nacional do Xingu. A avião taxiou até se posicionar na cabeceira da pista. Deu uma leve virada à direita e uma rápida parada. Imediatamente roncou os motores na sua potencia máxima. Começou a correr por toda a extensão da pista e decolou. Puxa estamos novamente voando sobre aquela imensa área verde recortada por braços de rios. No avião as pessoas estavam conversando animadamente sobre os acontecimentos vividos na ilha e a grande vontade de chegar ao Parque. Embaixo, via-se apenas a selva, com copas de árvores altíssimas e agrupadas. Era mesmo uma região para ser desbravada. O tempo estava muito bonito. Com sol e sem nuvens.
Para aproveitar melhor nosso vôo, um jovem militar que nos acompanhava passou a discorrer sobre alguns dados a respeito do lugar que em breve iríamos conhecer nessa nossa viagem. Iniciou comentando que "o Parque do Xingu foi criado no Governo Getúlio Vargas com o objetivo de ser a primeira reserva indígena brasileira. Foi oficializado em 1961. Sua área territorial atinge cerca de 30 mil quilômetros quadrados. A expedição Roncador-Xingu, iniciada nos idos de 1940 pela Fundação Brasil Central foi o marco inaugural dos trabalhos de desbravamento do Centro-Oeste e da Amazônia, então desconhecidos." Ressalvou para aqueles que o escutavam atentamente: "a oportunidade desta viagem é única. Vejam os senhores que logo estaremos reunidos com pessoas da maior importância para que seja alcançado o êxito desse processo de preservação dos costumes e da cultura indígena. Todas trabalham integradas, em equipes. Porém, o Sertanista Orlando Villas Boas, que é paulista, ao lado dos irmãos Cláudio e Leonardo coordenam todo o trabalho". Naquela época, agora sabemos, era o começo de tudo. Não tínhamos ainda conhecimento da dimensão daquilo que seria ainda realizado por esses grandiosos humanistas. A relevância dos feitos em prol da população indígena foi de tal modo destacada que os irmãos Villas Boas foram indicados duas vezes ao Premio Nobel da Paz. Exemplos de homens. Exemplos de brasileiros. Bem, mais isto é hoje. O atual. Voltemos para o ontem.
O avião começou a fazer uma curva para a esquerda e ao longe já avistávamos algo parecido com uma ilha habitada no meio da selva. Perguntamos ao militar que estava sentado à nossa frente. Alí o que é? Prontamente respondeu: Estamos chegando. A euforia foi geral. Todos se posicionaram nas janelas. Queríamos ver o tão anunciado Parque. O avião já sobre a pista ainda em fase de acabamento de construção começou a descer lentamente, enquanto percebíamos que ao longo dela se posicionava uma grande quantidade de pessoas, como se estivessem esperando o avião pousar. O militar se adiantou às perguntas e disse: "São índios habituados a receber os aviões da FAB que sempre traz mantimentos, remédios e outros artigos de necessidade da população local".
A essa altura, o avião encostou suas rodas na pista, dando um solavanco e deixando um rastro de poeira dos pneus no chão. Assim que se posicionou para o local de estacionamento, o comandante cortou os motores. Poucos minutos após, abriu as portas. Neste instante, estávamos aguardando, em fila, de pé, o momento para nossa saída. Os professores do Vocacional conversavam, animadamente, até que foi liberada a nossa volta à terra. Já podemos descer, disse o militar. O capítulo, por ora, aqui se encerra. Continuemos nossa aventura em novo capítulo amanhã.
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