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Ricardo Campos de Jordão - Turma 64 - GEVOA
Olá Pessoal. Cada vez que o Vocacional surge em nossa memória, mais "causus" lembramos. Agora, a fita parou numa apresentação musical.
Apesar do ocorrido não estar diretamente ligado com a Escola em si, o fato envolveu alunos do Ginásio, naquela época em que éramos todos felizes e sabíamos.
Assim, este relato vai despertar um pouco mais o lado gostoso, menos comprometido da vida. Momentos que temos vontade de repetir pela graça e pelo divertimento. Pelos risos soltos que estão amparados pela sagrada liberdade - própria da juventude.
Pois bem. naquela época, o Canal 7 - TV Record, ainda se localizava perto do Aeroporto de Congonhas. Havia um programa que estava promovendo um encontro de conjuntos musicais, do tipo bandas de rock, com guitarras, baixo, bateria e outros instrumentos mais, com farta distribuição de prêmios para os vencedores. Concorrendo, estava um conjunto formado por alunos do GV e que iria se apresentar naquele dia. Lógico, lá estava eu e mais uns cinco fãs, alunos do Vocacional, prontos para agitar a torcida em prol dos amigos músicos. Para tanto, mandamos fazer uma faixa de pano com o nome do conjunto para ser exibida no ato da apresentação. Assim que foi divulgado no palco que seria a hora de entrada do conjunto, todos os seis fãs se agitaram na torcida, desembrulhando com desenvoltura a tal faixa com o nome do conjunto e gritando já ganhou, já ganhou, já ganhou. O conjunto se apresentou. Apesar da gritaria, não fez feio, mas também não empolgou. Foi meio xoxo. Porém, para nós, só o fato de estarmos lá já era o bastante. Rimos com as infindáveis bobagens praticadas durante o show e nos divertimos a valer!!
Na hora de voltarmos para a Escola, decidimos fazer uma vaquinha para pagar um taxi que pudesse nos levar todos de uma vez só. Naqueles tempos circulavam carros da marca Chevrolet que eram bem espaçosos. Verdadeiros sofás na sala. Não demorou muito para aparecer a tal barca. O automóvel lembro muito bem, tinha cor verde bandeira, impecavelmente lavado e brilhante. Era tipo sedan, 4 portas. O motorista um senhor idoso, muito bem arrumado. Antes de abrirmos as portas, o motorista caprichoso perguntou se era para levar todos. Ao saber que sim e depois de muita insistência nossa, resolveu ceder e nos levar. Posicionei-me na parte traseira que era mais apropriada para o que eu levava nas mãos. A angústia gerada pelo fato de sermos seis jovens (de tamanho avantajado) e o taxi de inicio não concordar com a corrida foi tanta que, no ímpeto de ser o primeiro a entrar no veículo, abri imediatamente a porta e empurrei para dentro do carro, numa posição meio inclinada, as varetas de madeira que seguravam o pano da faixa enrrolado. Na pressa, não deu outra. Com aquele empurra-empurra para entrar no carro, foi a vareta lançada direto contra o teto do automóvel, furando e rasgando o forro por uns bons 15 cms, caindo o pano em forma de língua. Aquilo foi a verdadeira imagem do inferno. O dono do automóvel ao ver aquela avalanche de gente entrando no seu "antes lindo carro" e em seguida ao ver o estrago feito no forro pela tal faixa perdeu de imediato o controle, largou de lado toda a sua polidez e começou a xingar palavrões de todo tipo, filhos de toda espécie, até que fomos expulsos do automóvel. Passado o grande susto, pois além do dano não tínhamos como pagar os estragos, as risadas se sucederam até não se agüentar mais. Hoje, mais de 4 décadas do ocorrido, ainda guardo vivo na memória os momentos em que fomos os protagonistas do ato, da cena, da própria vida.
Bendito Ginásio!!
Ricardo Campos Jordão
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